“Depois da cannabis medicinal, minha avó reconheceu o filho pelo nome”, diz neta de idosa com Alzheimer

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Uma vida marcada por quadros de depressão, suspeita de bipolaridade, agressividade e, por fim, pelo desenvolvimento da doença de Alzheimer. Esta é parte da história de Maria das Dores Borges Viana, de 71 anos, de Campina Grande (PB).

A saga de Dona Dôra, como é conhecida, hoje é contada por sua neta, Priscila Albuquerque, de 28 anos, uma jovem missionária da Igreja Batista que encontrou na cannabis uma forma de ajudar a avó e outras dezenas de pessoas.

Dona Dôra era o tipo de pessoa, digamos, difícil. Sua depressão e seus surtos de agressividade se voltaram contra ela mais uma vez ao mascarar para a família a doença de Alzheimer, que chegava de forma sorrateira me meados de 2017. A idosa se trancou em casa. Seu comportamento explosivo serviu de escudo. Ninguém entrava. Nada de visitas. A família achou que era por causa do estado depressivo e respeitou a decisão de Maria.

Porém, o que ninguém imaginava era que, na verdade, a matriarca estava apresentando os primeiros sintomas da doença. Ela já não tomava banho, não se alimentava direito, não fazia limpeza.

“Quando decidimos entrar na casa foi um choque. Ela estava vivendo em situação precária. Mas nunca a abandonamos, só não tínhamos ideia do que estava acontecendo. Foi muito triste. Ninguém queria aceitar que ela estava com Alzheimer”, relembra a neta.

Com a demora do diagnóstico e do início do tratamento, Dona Dôra piorou muito. Sua agressividade duplicou, ela passou a ter alucinações e a se perder na rua, onde era encontrada, muitas vezes, a quilômetros de casa.

“Foi então que um dos médicos receitou um remédio alopático tão forte que deixou minha avó prostrada. Ela mal mexia os olhos, não comia, sua mobilidade ficou comprometida e enrijecida. Não sabíamos mais o que fazer”, conta Priscila.

A reviravolta
Agora, totalmente dependente, Dona Dôra precisava mais do que nunca de cuidados. Uma de suas filhas pediu ajuda à Priscila para cuidar da idosa. E foi por uma dessas “coincidências” da vida que a cannabis entrou para a vida da paciente e de toda sua família.

“Um dia antes de eu ir cuidar da minha avó, eu estava em casa assistindo TV e conheci a história do Seu Ivo [caso de repercussão nacional]. A partir daquele momento eu não tive dúvidas de que aquela era a melhor opção para minha avó. Mas como eu ia levar esse assunto para a minha família extremamente tradicional?”, relembra a jovem missionária.

Priscila fez um verdadeiro dossiê sobre a cannabis medicinal para apresentar para sua família. Links, vídeos, estudos, pesquisas. Entretanto, a surpresa foi grande: os familiares não questionaram nada e deram carta branca para que a jovem buscasse os meios para conseguir o óleo. “Nem eu acreditei na aceitação tão rápida. Foi então que entrei de cabeça no universo da cannabis”, conta.

A missionária começou sua peregrinação atrás do componente da maconha. Passou a conhecer associações, outras pessoas envolvidas na luta pela popularização do uso, médicos entusiastas da substância entre outros personagens dessa história. Logo o óleo full spectrum (óleo que contém todos os canabinoides da maconha) estava em mãos e, então, começou a revolução na vida de Dona Dôra.

Da raiva para o amor
Dona Dôra não era fácil. Nunca foi, segundo a família. Amorosidade, tranquilidade e serenidade eram adjetivos que passavam longe de serem destinados à idosa. Então, após três dias de uso do canabidiol, as melhoras no quadro da doença deram uma nova vida para a paciente e para toda a família.

“Ela se tornou uma pessoa amorosa, calma e carinhosa. Até bem mais do que antes da doença. Ela usa óleo full spectrum desde outubro de 2019. De lá pra cá, minha avó come sozinha, conversa, no mundinho dela, mas conversa. E ninguém acreditou quando ela reconheceu um dos filhos e o chamou pelo nome. Ela não se lembrava de mais ninguém fazia tempo”, afirma.

Membra de uma igreja cristã bastante tradicional, Priscila hoje “prega” para quem puder as boas novas da maconha medicinal. No Instagram criou o perfil Diário de Dona Dôra para mostrar a evolução da avó e também orientar outras pessoas que buscam informações de como obter o óleo completo da cannabis e não sabem por onde começar.

“A comunidade da minha igreja aceitou muito bem. Somente uma pessoa não concorda. Até outros irmãos e irmãs estão fazendo o uso do óleo para aliviar sintomas de estresse, ansiedade e etc. Eu mesma uso para minha endometriose. Para mim, tudo faz parte da criação divina. As mãos de Deus criaram essa planta. Ele sabia o potencial dela. Não podemos deixar de ter qualidade de vida por preconceito. A cannabis é divina”, finaliza.

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