Cannabusiness Summit reúne principais players do mercado da Cannabis Medicinal e a mensagem foi clara: ‘a regulamentação vai acontecer’

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A quarta-feira, 27 de novembro, foi marcada em São Paulo pelo debate de um tema que já é – e deve passar a ser cada vez mais – pauta importante no Brasil: as aplicações da Cannabis Medicinal e todo o mercado que gira em torno dela – inclusive a parte política, já que o uso medicinal está em vias de ser regulamentado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), com audiência marcada para terça-feira, 3 de dezembro.

Com a presença dos principais players do mercado, o Cannabusiness Summit discutiu, na Casa Natura Musical, em Pinheiros, pontos como desafios da produção à venda, regulamentação e potencial de investimento na Cannabis.

O público, formado por profissionais do mercado da Cannabis brasileiro, além de investidores do mercado internacional, acompanhou seis painéis temáticos, que contaram com informações e análises de médicos, cientistas, advogados, empresários e parlamentares. Todos falaram sobre os benefícios do uso medicinal dessa planta milenar.

Além do uso medicinal para doenças sem alternativa tradicional ou com tratamento medicamentoso com fortes efeitos colaterais, foram expostas também as inúmeras possibilidades de produtos que podem ser feitos com extratos da planta, desde suplementos alimentares até cosméticos.

A cientista Gabriela Cezar levantou sobrancelhas na plateia ao deixar claro que temos, no corpo humano, mais receptores canabinoides do que receptores para, por exemplo, a serotonina.

Já o deputado federal Eduardo Costa (PTB – PA), afirmou categoricamente que a regulamentação virá. Uma comissão especial foi criada para analisar o Projeto de Lei 399/15, que viabiliza a comercialização de remédios que contenham extratos, substratos ou partes da planta Cannabis e suas variedades.

O papel da Colômbia e do Uruguai no mercado sul-americano também foi discutido, já que os dois países regulamentaram o cultivo da planta, cada qual com seus pormenores. Com o Brasil entrando nesse cenário, os resultados, inclusive de exportação, podem superar em muito dos países vizinhos.

A regulamentação não foi a única promessa: o evento Cannabusiness Summit terá mais edições, como anunciou Marcelo Toledo, CEO da GS&MD, realizadora do evento – que contou também com curadoria de Viviane Sedola, da Dr. Cannabis.

O summit painel a painel

No primeiro painel do Summit se apresentaram: Tarso Araújo, CBDO do Entourage Phytolab, Norberto Fischer, Diretor de Relacionamento Institucional da HempMeds e Dênis Russo, Colunista da Época. Os especialistas contaram um pouco sobre como a questão da cannabis medicinal veio à luz no país, baseados no filme Ilegal – A vida não espera, dirigido por Tarso, que conta a história de Katiele, Norberto e a filha Anny Fischer, que teve uma melhora substancial em relação a suas crises convulsivas com o uso do canabidiol – e é símbolo da luta pelo uso terapêutico dele.

O segundo painel foi composto só por mulheres poderosas do cannabusiness: Cristiana Taddeo, CEO da HempCare Pharma, Gabriela Cezar, CEO & Principal Partner da Panarea Partners Inc. e Ana Hounie, médica do Dr. Cannabis.

A psiquiatra Ana Hounie é uma das médicas que faz parte da pequena porcentagem de profissionais brasileiros que já prescrevem canabidiol para pacientes, e esclareceu que os medicamentos que venham a ser regulamentados no Brasil a base de extratos da cannabis devem ser testados e registrados como qualquer outro.

Gabriela Cezar, cientista renomada mundialmente, mostrou o polo que construiu no Uruguai para estudos sobre a planta, medicamentos, pacientes e mais. Ela e Ana alertaram sobre questões técnicas como interação medicamentosa – para quem utiliza ou utilizará produtos a base de cannabis junto com medicamentos ditos tradicionais.

Cristiana Taddeo acumula 10 anos de prática no acolhimento de doentes crônicos e graves. A CEO falou sobre sua experiência de 10 anos no setor e trouxe novidades sobre o desenvolvimento de medicamentos e suplementos à base de CBD, a preços acessíveis.

Do terceiro painel participaram Caio Santos Abreu, CEO do Entourage Phytolab, Euclides Lara Cardozo Júnior, Diretor-Presidente da SUSTENTEC, Jaime Ozi e Felipe Abdo, Senior Principal da IQVIA.

Felipe deu um panorama estatístico e mostrou pesquisas de mercado sobre as inúmeras etapas que envolvem a entrada no negócio da cannabis – incluindo questões varejistas.

Caio contou sobre as operações da Entourage, que pretende colocar seus medicamentos com canabidiol no mercado em 2022.

Jaime abriu os olhos da plateia para o fato de que o desmonte das pesquisas científicas no Brasil está condenando o país ao atraso, e mostrou, em números, o enorme potencial que os produtos com extrato de cannabis tem de ajudar literalmente milhões de pacientes brasileiros – inclusive os com dor crônica.

Euclides falou um pouco sobre plantas medicinais e como o Brasil está pronto para capacitar agricultores e ter plantações-modelo de cannabis.

O quarto painel tratou da regulamentação comos parlamentares Caio França, Deputado Estadual de São Paulo e Eduardo Costa, Deputado Federal e com Norberto Prestes, Presidente Executivo da Abiquifi, a Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos. O resumo? A regulamentação vem! Caio contou sobre seu projeto de lei para São Paulo, que prevê fornecimento gratuito de remédios derivados da cannabis, Eduardo deu um panorama sobre o trâmite em Brasília e Norberto falou sobre os esforços da associação, todos buscando o mesmo fim.

No quinto painel, números como os R$ 4 bilhões previstos como a cifra que vai girar no mercado da cannabis em três anos após a regulamentação permearam a conversa de Gustavo Palhares, CEO da Ease Labs, Marcelo Galvão, CEO da Onixcann/Cantera, Beto Vasconcelos, Sócio da Xavier Vasconcelos Valerim Advogados e Matheus Patelli, Gerente de Marketing & Operações da HempMeds Brasil.

Por fim, o mercado mundial foi tema do painel composto por Marcel Grecco, CEO da The Green Hub, Henning von Koss, Diretor da PharmaCielo e José Bacellar, Presidente e CEO da VerdeMed.

Bacellar foi categórico: o polígono hoje conhecido como polígono da maconha, no Nordeste, será conhecido como o polígono do cânhamo, ou da cannabis medicinal. Ele também reforçou como os deputados que cuidam da questão no legislativo estão muito bem informados, e parecem buscar o melhor para a população: uma regulamentação rápida e bem pensada.

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