A maconha está no caminho do setor de tabaco?

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Um anúncio feito esta semana agitou o mercado de tabaco, base da economia do Vale do Rio Pardo.  A Altria, controladora americana do grupo Philip Morris, comprou ações da Cronos, fabricante canadense de maconha legalizada. O movimento pode indicar um dos rumos que o setor deve tomar em um contexto de queda no consumo global de cigarros.

A Altria assumiu 45% das ações da Cronos em uma transação de US$ 1,8 bilhão (R$ 7 bilhões), que ocorre apenas dois meses após o Canadá autorizar o consumo recreativo da maconha. Segundo um comunicado postado no site da empresa, o investimento posiciona a companhia “no emergente mercado global de cannabis, que acredita-se estar pronto para um rápido crescimento no decorrer da próxima década”. “Isso também cria uma nova oportunidade de crescimento em um segmento complementar à venda de cigarros tradicionais”, diz o texto.

Esse é o segundo movimento de uma multinacional do tabaco no sentido de se expandir para o mercado legal de maconha. Em fevereiro, a Alliance One International assumiu parte de duas fabricantes canadenses.

O fenômeno se dá em um momento em que as grandes empresas de tabaco apostam cada vez mais forte em alternativas ao cigarro convencional, como os cigarros eletrônicos e os produtos de tabaco aquecido. A própria Philip Morris, por exemplo, anunciou no início deste ano que suspenderia a venda de cigarros no Reino Unido. Outras gigantes, como a Japan Tobacco Internacional (JTI) e a British American Tobacco (BAT), controladora da Souza Cruz, também vêm aplicando milhões de dólares no desenvolvimento de novos produtos.

Esses movimentos indicam que a maconha pode vir a se firmar como uma dessas alternativas. O fato de uma grande empresa se posicionar dessa forma pode influenciar o mercado como um todo. “A Philip Morris não é qualquer empresa. Haverá forte influência neste sentido”, observa um executivo do setor de tabaco.

A consolidação dessa tendência, porém, ainda depende de mais países permitirem a comercialização da maconha. O Canadá foi apenas o segundo a legalizar a erva – o primeiro foi o Uruguai, em 2014. Em outros países, como Austrália e Estados Unidos, a liberação total se deu apenas em alguns estados. Fora isso, há países que flexibilizaram ou autorizaram o uso com fins terapêuticos – é o caso do Brasil.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

  • Por que empresas de tabaco estão investindo no mercado da maconha?

Ao que tudo indica, as empresas estão em busca de alternativas ao cigarro tradicional, de olho no futuro do mercado. O principal motivo seria a tendência clara de queda no consumo de cigarros em escala global. Segundo um relatório divulgado em maio deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS), embora ainda haja 1,1 bilhão de fumantes adultos no mundo, o consumo vem caindo: em 2000, 43% dos homens e 11% das mulheres consumiram tabaco, percentuais que caíram para 34% e 6% em 2016.

  • A expansão para o mercado da maconha já pode ser considerada uma tendência do setor de tabaco?

Além da compra de ações da Cronos pela Altria, em fevereiro deste ano a antiga Alliance One International (hoje Pyxus International, controladora da Alliance One no Brasil) adquiriu o controle de duas empresas que processam maconha legalizada no Canadá, a Island Garden e a Goldleaf Pharm. Isso indica que, aos poucos, as indústrias de tabaco se movimentam nessa direção. A consolidação dessa tendência, no entanto, vai depender da regulamentação da venda de maconha em outros países.

  • Pode haver alguma repercussão sobre o Brasil no curto ou médio prazo?

Dificilmente, já que no Brasil a maconha é liberada apenas para fins terapêuticos e, por enquanto, não há perspectiva de mudança nesse cenário. Tudo indica que esses movimentos vão priorizar, ao menos em um primeiro momento, os mercados canadense e norte-americano (nos estados onde o uso da maconha é legalizado).

  • No que isso interfere em relação aos cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido?

Esses produtos, menos prejudiciais à saúde do que os cigarros tradicionais, continuam sendo a grande aposta das empresas de tabaco para o futuro. Isso, no entanto, não exclui os movimentos na direção do mercado da maconha. Segundo agentes do setor, os fenômenos podem inclusive estar relacionados: tecnicamente, a maconha também pode ser usada em dispositivos eletrônicos. Na prática, o que parece estar por trás de tudo isso é a busca de alternativas ao cigarro tradicional.

Fonte: GAZ

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