Os influenciadores da Cannabis em 2019

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O ano de 2019 foi o ano mais movimentados do mercado nacional da Cannabis medicinal. Na política, quatro Projetos de Lei foram encaminhados para tramitar no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) também reconheceu a necessidade de aprovar novas regras para o comércio e plantio da Cannabis medicinal. Optou antes por uma pesquisa pública. Em cima das considerações da sociedade, redigiu novas medidas, mas demorou um mês a mais do que o esperado para anunciá-las. No início de dezembro, determinou que será permitida a venda do canabidiol com 0,2% de THC nas farmácias. O óleo poderá ser produzido aqui, com extrato importado.

Enquanto todos esperavam pela publicação das novas regras, o mercado esteve extremamente agitado. Havia uma preocupação geral em mostrar ao público e as autoridades a importância da lei tanto para a economia como para a saúde de muitos brasileiros. Congressos científicos, encontros de mercado e tributos culturais foram realizados. A maconha começou a ser encarada como uma commodity, assim como a laranja ou a soja.

Mesmo diante dos preconceitos sobre o tema, as associações de pacientes, advogados, médicos e a própria indústria mostraram a importância do CBD em tratamentos de doenças crônicas como o câncer, a epilepsia e a fibromialgia. Conheça abaixo os 12 brasileiros que inspiraram o setor da Cannabis medicinal em 2019.

A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) abriu a própria intimidade para contar os benefícios, que a Cannabis medicinal trouxe para a vida dela. Vítima de um acidente de carro, que lhe causou uma grave lesão medular em 1994, Gabrilli sofre com espasmos e dores musculares. Sintomas que ela declarou serem controlados com óleo de Cannabis. Ela influenciou diretamente opiniões no Senado para que a sugestão nº6, sobre a regulação do cultivo e da comercialização do cânhamo virasse Projeto de Lei.

Para o diretor-presidente da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária),William Dib, 2019 foi o último e o mais difícil do seu mandato. Ele admitiu a importância da regulação de uma nova Lei sobre o comércio e o plantio da Cannabis medicinal, abriu uma pesquisa pública sobre o tema e redigiu uma regulação. Mesmo contra à vontade do Governo Federal, conseguiu que a diretoria colegiada da agência aprovasse em 3 de dezembro que produtos de Cannabis para fins medicinais sejam vendidos em farmácia no ano de 2020. Abriu caminho para que empresas nacionais produzam o óleo com matéria prima importada.

Mais conhecido como Jojô, George Wachsmann, CIO da empresa digital de fundos Vítrio, abriu o primeiro produto para brasileiros apostarem no mercado de Cannabis internacional. Trata-se do Cannabidiol FIA IE, fundo onde o investidor compra uma cesta ações de empresas de setores diferentes e também da indústria da Cannabis. A iniciativa deu novo status à Cannabis no Brasil, mostrando o potencial econômico de commodity.

Como presidente da Comissão Especial para viabilizar o comércio da Cannabis, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) investiu esforços nas pesquisas e entrevistas com especialistas sobre a Cannabis medicinal. Admitiu que falta conhecimento técnico e medicinal aos políticos para avaliarem e formularem um Projeto de Lei adequado à realidade nacional.

Advogada e presidente da Apepi (Associação de Apoio à Pesquisa e Pacientes de Cannabis Medicinal), Margarete Brito é um dos nomes mais importantes na luta dos pacientes refratários do Brasil. Mãe de Sofia, 10, portadora de uma síndrome rara (CDKL5), ela foi a primeira brasileira a ter autorização da Justiça para cultivar Cannabis. Em 2019, entrou com uma ação na Justiça pedindo autorização para fornecer óleo de Cannabis para pacientes sem recursos. Além de acolher familiares e doentes, Brito trabalhou na divulgação de informações de qualidade. Em junho, organizou o 2º Seminário Internacional de Cannabis Medicinal, em parceria com a Fiocruz e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É uma referência entre as associações e força política.

Grupo Terra Viva, de cultivo e comercialização de produtos agrícolas como cereais, flores, batatas e plantas ornamentais, foi a primeira empresa a conseguir liminar na Justiça para cultivar cânhamo. Com isso, ganhou o direito de importar e cultivar as sementes para fins comerciais e medicinais. A Justiça entendeu que o cânhamo não se confunde com a maconha, por ter menos de 0,2% de THC (substância com efeitos psicotrópicos). A liminar ainda determinou que o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) deve incluir o cânhamo industrial no RNC (Registro Nacional de Cultivares).

Diretora geral da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis), a médica psiquiatra Eliane Nunes esteve presente em programas de TV e em todos os congressos científicos que envolveram a Cannabis medicinal. Também levou a experiência clínica e de pesquisa à Câmara dos Deputados, mantendo uma posição independente das empresas da Cannabis.

Emílio Figueiredo é advogado especializado em casos de pacientes sem condições financeiras de compra o óleo de Cannabis, que entram na Justiça para pedir autorização para plantarem a erva. Ele é um dos fundadores da Reforma, coletivo que reúne 21 advogados voluntários, espalhados pelos estados brasileiros. Em paralelo, durante o ano de 2019, atuou como o maior crítico e ativista do setor. Sem perder o foco dos interesses dos pacientes, está sempre conectado às redes sociais e não fica de fora de nenhuma polêmica do setor. Considera a nova regulação da Anvisa “elitista”, por achar que não aumenta de fato o acesso dos pacientes.

Ex-presidente da Bombril, José Bacellar abriu a VerdeMed, startup sediada no Canadá, voltada para o mercado de Cannabis da América Latina em 2018. Em 2019, lançou a campanha “CBD legal”, como apoio de outras empresas do setor. O CBD é a abreviação de canabidiol, substância da Cannabis que não dá o tal “barato”. Informava ser uma substância encontrada no hemp (cânhamo)– um tipo de Cannabis chamada de ruderalis– usado hoje para fazer roupas, tênis e tijolos, entre outras coisas. A campanha dizia que “cânhamo não é maconha”. Destacou-se ainda por ser um dos poucos empresários do setor que atuou sem preconceitos, como se estivesse em um negócio de qualquer outro ramo, anunciando na mídia e costurando nos bastidores para abrir mais espaço para o mercado da Cannabis como um todo.

Vicente Fox, ex-presidente do México, virou o “garoto propaganda” da indústria da Cannabis. Membro do conselho diretivo da Khiron, empresa canadense de Cannabis, vem se dedicando ao setor com fervor. Uma das figuras mais requisitadas para dar palestras em congressos internacionais de 2019, Fox acredita que a regulação do mercado da maconha seja o caminho contra o tráfico de drogas.

Laís Macedo, CEO do Lide Futuro– plataforma de conteúdo, experiências e networking – , organizou o primeiro debate de 2019 para especialistas e investidores sobre o potencial do canabidiol na economia do país. Intitulado Canabusiness: um mercado bilionário, o evento reuniu especialistas do setor e investidores. Mesmo diante do preconceito do tema, Macedo provou o interesse sobre o tema e abriu caminho para uma série de outros eventos semelhantes que aconteceram no segundo semestre de 2019.

Jornalista e um dos diretores de Ilegal–documentário sobre o uso medicinal da maconha–, Tarso Araújo reuniu os personagens do filme para comemorar cinco anos do lançamento e ainda fazer um tributo às famílias retratadas ali. Entre os presentes, Margarete Brito e Cidinha Carvalho, entrevistadas na época, e que hoje comemoram a autorização obtida na Justiça para plantar Cannabis medicinal para o tratamento dos filhos. O encontro fez um balanço oficial importante do avanço dessa jornada.

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