‘Head shops’ expandem negócios com shows, exposições e até estúdio de tatuagem no Brasil

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Antes as “head shops” eram conhecidas apenas como lugares onde se vendiam acessórios. Hoje, no entanto, o público encontra nelas bem mais do que diferentes tipos de seda, desbelotadores e bongs. Esses empreendimentos estão abrindo suas portas para exposições de arte, experiências gastronômicas, tatuagens, apresentações musicais e, claro, debates sobre cannabis. Criadas sob a inspiração das casas de contracultura dos anos 1960 e 1970 nos Estados Unidos, esses espaços são também usados para incentivar o empreendedorismo local de cada região.

Em um casa de três andares, escondida numa das dezenas ruas estreitas e cheias de paralelepídos de pedra do centro do Rio de Janeiro, se encontra a Ganjah. O espaço tem um pé na contracultura underground dos anos 60 e outro no vale do silício do século XXI: homens de terno afrouxam das gravatas e abrem os laptops para fazer reuniões, enquanto isso jovens pedem um hambúrguer artesanal no aguardo do show de slam que vai acontecer mais tarde naquele mesmo dia.

— A ideia a princípio era montar apenas uma tabacaria, mas vimos que havia uma possibilidade de criar um espaço de convivência – conta Ítalo Rodrigues, fundador — Começamos a perceber que a galera vinha para permanecer na casa. As pessoas vinham para ficar no sofá, tinha gente que que vinha para trabalhar, outros marcavam reunião, outros só queriam curtir uma música com os amigos.

Ítalo foi ao Uruguai para conhecer as iniciativas empreendedoras que estavam sendo feitas com a legalização da cannabis no país e para estudar que tipo de investimento poderia fazer no Brasil, dentro do que a legislação nacional permite. O negócio começou em 2015 com uma pequena loja, mas logo Juliano Werneck, dono de um sobrado algumas casas ao lado onde funcionava uma boate, se interessou em unir os investimentos. No piso térreo, cachimbos e narguilés dividem espaço com araras de roupa, obras de arte e um espaço gastronômico; o segundo andar tem um palco que recebe shows, peças teatrais e reuniões, o terceiro andar é um terraço aberto.

Werneck, 53 anos, hoje é um dos cinco sócios que administram o empreendimento. Ele conta que a casa ruma para se tornar um centro cultural, com possibilidade de eventos noturnos, encontros de coletivos de criação, cineclube, peças teatrais e para debate sobre cannabis, é claro. A casa já organizou, por exemplo, rodas de conversa com neurocientistas sobre o uso médico da planta, por exemplo.

— Tudo que a gente vende aqui tem nota fiscal, geramos emprego, pagamos nossos impostos, fazemos tudo dentro da legalidade. Não estamos fazendo apologia à droga, a gente quer promover o debate inteligente e com informação de qualidade, tendo a saúde como norte, por isso chamamos médicos e especialistas. E isso faz parte da construção da nossa marca, que se identifica com trabalho colaborativo, com liberdade, com debates democráticos e sempre dentro da perspectiva de estar dentro da legalidade.

Estúdio de gravação e de tatuagens

Em outra casa de três andares no Rio de Janeiro, o Centro Cultural Smoke Lounge funciona de segunda a sábado com agenda cultural intensa, cada dia da semana tem apresentações musicais de um ritmo diferente, com destaque para os shows de jazz, blues e de rock. O espaço mistura tabacaria, pub, sinuca, estúdio de ensaio para músicos, e estúdio de tatuagens.

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