ARTIGO EDUARDO CRUZ* | O PITO DO PANGO, LESMAS, CARAVELAS E MARCAS

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Canabidiol, ou CBD, é uma substância que o corpo humano produz. Sim: o corpo humano e de outros animais precisam de canabidiol para exercer suas funções há milhões de anos. Não é uma novidade. CBD está presente no sistema nervoso, em glândulas e órgãos, e ainda no sistema imunológico, no baço, fígado, coração, rins, ossos, vasos sanguíneos, e até em órgãos reprodutores. O interesse em pesquisa e desenvolvimento de produtos inerentes a essa substância virtualmente vital à espécie humana deveria ser incentivado e não reprimido.

Napoleão proibiu a venda da maconha em estabelecimentos públicos no Egito durante a ocupação do século XVIII porque considerava que a erva tornava os egípcios mais propícios a desafiar os ocupantes. No século XIX, o Brasil segue a orientação de Bonaparte e o “pito do pango” é proibido. Os americanos, na segunda década do século XX, proíbem a erva em direta relação que a mesma tinha com os imigrantes mexicanos.

Cannabis! Essa palavra que causa arrepios em alguns, foi fundamental para que Cabral, aquele das caravelas, chegasse ao Brasil. As velas foram feitas de cânhamo, uma espécie de Cannabis. Maconha e cânhamo são classificados como Cannabis.

O cânhamo tem baixo teor de THC, uma substância que, em determinadas doses, causa euforia e é a base do consumo de cigarros e do tráfico internacional de drogas. Maconha tem alto teor de THC. Cânhamo tem alto teor de outra substância: o canabidiol, ou o CBD. Moluscos e aranhas possuem sistema canabinoide. Canabidiol não é uma droga descoberta e que precisa de autorização de X, Y ou Z para ser utilizada pelo homem ou pelos animais. Ela antecede a própria espécie humana. A carência de CBD causa problemas e doenças.

Países muito mais fechados do que o Brasil, como a China, estão investindo muito para produzir CBD e participar do grande mercado farmacêutico dessa substância. Estados Unidos, Canada, toda a Europa já produzem e pesquisam CBD e THC para uso medicinal. E em alguns casos para uso recreativo. O THC tem importante papel no tratamento de algumas doenças neuronais.

A diferença fundamental entre qualquer medicamento e um veneno é quase sempre dose e posologia. Até água em excesso pode causar sérios danos. THC e CBD, em doses adequadas, já são realidade em medicamentos e produtos cosméticos. Cânhamo faz roupas, cadeiras, e fez as velas do Cabral.

Não é possível que se proíba a marca. Qualquer medicamento, por mais simples que seja, poderá ser melhor ou pior dependendo das tecnologias de sua fabricação e controle. Por que investir nisso se todos terão o mesmo nome? Não faz sentido.

O Brasil não pode ficar lento, vagaroso em discussões sem qualquer sentido. Alias, até as lentas lesmas tem sistema canabinoide, há mais de 480 milhões de anos. Vamos torcer para que leve menos tempo para que os cérebros de moluscos brasileiros possam se beneficiar desse importante produto.

*Eduardo Cruz é membro da Academia Americana de Inventores e fundador do Axis Biotec Brasil.

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