O ministro da Educação não sabe o que diz

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Mais uma vez, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, investiu contra as instituições de ensino federais tentando envolver, na semana passada, os seus alunos em prática criminosa. Se a intenção do ministro era a de levar a Polícia Federal para dentro dos campi universitários, a sua estratégica acabou com nota zero, tal o absurdo por ele dito e a falta de exatidão nos dados que apresentou. Segundo Weintraub, existem universidades federais nas quais é possível encontrar “plantações extensivas de maconha”. O que significa, para o ministro, a expressão “extensiva”? O complemento de sua falsa denúncia guarda a explicação desprovida de qualquer sentido: o plantio de maconha ocuparia áreas tão grandes a ponto de os estudantes terem de se valer de borrifadores de agrotóxicos para mantê-lo vivo. E o ministro disse mais: laboratórios de faculdades de química estariam “desenvolvendo meio de produzir drogas sintéticas, como, por exemplo, metanfetaminas”.

Por que, em sua opinião, ocorre isso nos campi? A resposta é dele próprio: porque a polícia não pode legalmente ingressar neles, a não ser em caso de flagrante delito (como um homicídio, por exemplo). Como dissemos acima, o objetivo final de Weintraub é introduzir força policial nas dependências das universidades, e não estamos aqui extrapolando se cogitarmos a hipótese de que seu o intento é cercear eventuais manifestações estudantis, no interior das faculdades, que possam se dar contra a sua gestão ministerial e o governo de Jair Bolsonaro. A tentativa de cerco autoritário é ampla e persistente. Weintraub esqueceu-se, no entanto, que facilmente se verifica nos dias de hoje a veracidade de informações.

O ministro exemplificou a sua acusação com casos que teriam ocorrido na Universidade de Brasília (UnB) e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Vamos aos fatos.

Em 2017, houve a prisão de dois alunos da UnB por causa de maconha, e, na primeira hora, noticiou-se que a droga se encontrava em terreno de propriedade da universidade. A conclusão do caso, não mencionada por Weintraub, o desautoriza na argumentação. Os jovens estudantes não foram condenados porque nada se provou contra eles. Além disso, ficou comprovado que o local em que estava a maconha não integra o campus da Universidade de Brasília. Quanto à UFMG, que estaria, de acordo com o ministro, produzindo drogas sintéticas em seus laboratórios, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu, há dois meses, que as três pessoas envovidas e condenadas não possuíam o menor vínculo com a faculdade. Diversas entidades ligadas ao setor acadêmico reagiram imediatamente às declarações de Weintraub. A Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) afirmou, por meio de nota, que o ministro “parece nutrir ódio pelas universidades federais brasileiras”. Para a Sociedade Brasileira de Química é “absolutamente estarrecedora (…) a sequência de ataques que o sr. ministro vem proferindo contra as universidades federais, usando dados infundados (…) numa tentativa aparentemente premeditada de macular a imagem de nossas universidades”.

O ministro saiu literalmente derrotado na estratégia que ele mesmo montou. E outra derrota viria. A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados manifestou-se, na semana passada, preocupada com a ineficiência da atual gestão no Ministério da Educação e já prepara uma PEC para vetar cortes de verbas às faculdades como o governo federal promoveu ao longo desse ano. As atitudes e declarações afoitas de Weintraub, na maioria das vezes, se voltam contra a sua própria Pasta, e não foi diferente agora. Na verdade, enquanto ele troca o sobrenome do escritor Franz Kafka por kafta e acha que a expressão assepipes possui o mesmo significado de asseclas, isso é problema dele. Já bastante grave é acusar, sem que haja a menor prova, universidades e estudantes de cometerem crimes como o de plantar maconha. Crimes, isso sim, é ele quem pode eventualmente ter praticado nesse lamentável episódio: improbidade, difamação ou prevaricação.

O ministro sofreu também uma grande derrota na Câmara dos Deputados. A Comissão de Educação vê paralisia no Ministério sob o seu comando

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