Câmara faz debate sereno sobre uso medicinal da cannabis

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O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) arrancou risos dos participantes da audiência pública que estava presidindo, nesta terça-feira, 29, na comissão especial da Câmara que analisa o PL 399/2015, projeto do deputado Fábio Mitidieri (PSD-SE) que trata de medicamentos formulados com cannabis. Isto porque, na sala ao lado estava sendo realizada a votação de destaques ao projeto do Executivo 1645/2019, sobre a proteção social dos militares ou “previdência dos militares”, como se convencionou chamar.

A certa altura, os gritos dos representantes dos militares que não tiveram seus pleitos acolhidos (“Bolsonaro traidor”, esbravejavam em coro) tornou impossível ouvir a exposição dos especialistas sobre a questão da cannabis, levando Teixeira a pedir que a porta fosse mantida fechada. Ele esclareceu que na comissão vizinha estava sendo travado um debate com muito entusiasmo, ao passo que, na sua comissão, “dada à natureza da matéria”, o debate estava fluindo com muita tranquilidade.

Foi uma risada coletiva educada, no compasso do ambiente em que vem sendo travada a discussão dessa questão medicamentosa.

É recomendável, inclusive, que aqueles que vivem o estresse do acompanhamento da vida legislativa, deem uma passada na comissão dos medicamentos formulados com cannabis para repor as energias. A mesma recomendação deve ser feita àqueles que torcem a cara para o Congresso, como se fosse um lugar onde ninguém presta. Se conseguissem dar um pouco de atenção a determinados temas que vem sendo tratados sairiam de lá com outra impressão.

Nesta terça-feira, pôde-se assistir a exposições interessantes dos especialistas Sidarta Tollendal Gomes Ribeiro, professor titular de neurociência e vice-diretor do Instituto do Cérebro da UFRN, Virgínia Martins Carvalho, professora adjunta da Faculdade de Farmácia da UFRJ, Lisia von Diemen, chefe da Unidade de Ensino e Pesquisa do Serviço de Adicção do Hospital de Clínicas da UFRGS, e Margarete Akemi Kishi, professora da graduação e pós graduação do curso de Farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

A próxima audiência, na terça-feira, 5 de novembro, vai reunir médicos especializados em dependência química e com experiência sobre cannabis medicinal.

A questão tem origem no uso bem-sucedido da planta no tratamento de convulsões e de epilepsia. O THC, princípio psicoativo, é colocado à margem.

Professores alertam para os riscos no plantio, que pode permitir o surgimento de bactérias letais, e na ingestão exagerada de alimentos feitos à base de maconha, a exemplo dos cookies.

O debate medicinal tende a prosperar. O Brasil está um tanto atrasado nesse processo, mas chega lá. A professora Margarete Akemi Kishi lembra que a morfina foi descoberta em 1810, objeto de tráfico ao longo de décadas e hoje é um medicamento imprescindível nos grandes hospitais.

No debate econômico estamos ainda mais atrás, mas os grandes bancos já estão organizando investimentos na indústria da cannabis, privilegiando o uso medicamentoso sobre o uso recreativo. Como atestam grandes investidores internacionais, a exemplo de George Soros e Sean Parker, os banqueiros estão ficando doidos com o cheiro do lucro proporcionado pela plantinha.

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