Comissão da Câmara propõe descriminalizar usuário com até 10 gramas de maconha

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A Comissão criada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em agosto do ano passado, para atualizar a Lei de Entorpecentes, entregou nesta quinta-feira, 7, o anteprojeto sobre o tema que propõe critérios objetivos para descriminalizar o usuário de drogas. No caso da  maconha, o limite seria de 10g. A proposta também define tipos penais específicos que tratam sobre tráfico de drogas, endurecendo penas para tráfico internacional e financiamento do tráfico.

O projeto agora poderá ser colocado em tramitação na Câmara pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) e deve passar por comissões da Casa antes de chegar no plenário. O tema, porém, deve gerar polêmica. No ano passado, uma proposta do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) sobre descriminalização do consumo de drogas foi duramente criticada por deputados contrários à medida.

De acordo com o relator da proposta na comissão, o desembargador Ney de Barros Bello Filho, um dos pontos principais de alteração da legislação é justamente a definição sobre a quantidade de droga que pode ser considerada para uso pessoal.

“Basicamente, nosso projeto, nessa tentativa de atualização e de compatibilização com a contemporaneidade, contém a necessidade da descriminalização do uso de drogas em uma característica absolutamente pessoal em até 10 doses”, disse.

A quantidade de droga em uma dose terá de ser definida por uma regulação da Anvisa. O projeto, no entanto, estabelece as quantidades até que a agência regulamente a questão. Segundo o relator, no caso da maconha, por exemplo, 1 grama será considerado como uma dose.

O projeto também redimensiona as punições estabelecidas para os vários tipos penais envolvendo tráfico de drogas. A comissão agravou a pena para o financiamento ao tráfico e para o tráfico internacional e manteve as penas já estabelecidas para o crime de tráfico.

Segundo o advogado e ex-secretário nacional de Justiça, Beto Vasconcelos, a comissão abrandou as punições para as demais condutas associadas ao crime. “Como é atualmente, muita gente que é usuário foi encarcerado como traficante porque portava uma certa quantidade de droga que foi interpretada pelo juiz como tráfico. A presunção do que é ou não é tráfico terá o critério objetivo da quantidade de droga”, afirmou.

A ideia, de acordo com Vasconcelos, é dar coerência e reduzir as injustiças do sistema penal. “Há uma questão concreta que o efeito dessa injustiça causou nos últimos anos que é o aumento exponencial da população carcerária, em que foram presas pessoas jovens, pobres e sem antecedentes. Então, espera-se um efeito de redução tanto da injustiça quanto do encarceramento massivo ocorrido nas últimas décadas”, disse.

Segundo Vasconcelos, o projeto também avança na direção à regulamentação do plantio, processamento e venda de plantas, em especial a Cannabis, para fins exclusivamente medicinais e científicos. A regulamentação pelo projeto de lei será temporária até que a Anvisa estabelece as regras definitivas.

Para o presidente da comissão, o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Marcelo Ribeiro Dantas, o grupo tem consciência de que a proposta pode encontrar resistência em sua tramitação na Câmara. “Há opiniões que são inteiramente contrárias, há opiniões que são inteiramente favoráveis e há opiniões que acham que nós evoluímos pouco porque não partimos, por exemplo, para uma legalização ou estruturação do comércio e da venda. Achamos que esse era o passo que cabia no atual momento. Mas não temos a pretensão de sermos os legisladores”, disse.

O grupo formado em agosto do ano passado tem entre seus integrantes advogados, professores de Direito, membros do Ministério Público e o médico Dráuzio Varella. O projeto agora poderá ser colocado em tramitação na Câmara dos Deputados pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Fonte: O Estado de São Paulo

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