Mercado da cannabis possui muitos elos e produtos em potencial

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O mercado medicinal da cannabis possui grande potencial no Brasil. Mas além dos laboratórios de pesquisa da substância e desenvolvimento de medicamentos, toda uma cadeia de produção está envolvida no desenvolvimento de produtos ligados à cannabis, desde as sementes até a venda final.

Para tratar deste tema, a GS&MD, empresa do ecossistema de negócios do Grupo GS& Gouvêa de Souza, convidou para o Cannabusiness Summit Euclides Lara Cardozo Junior, diretor-presidente da SUSTENTEC; Neide Montesano, CEO da Montesano Negócios; Felipe Abdo, senior director da IQVIA; Caio Santos Abreu, CEO da Entourage Phytolab, e Jaime Ozi, sócio-diretor da DRIVE CONSULTORIA. Marcelo Toledo, CEO da GS&MD, fez a mediação da conversa.

Felipe falou sobre os públicos relacionados ao mercado da cannabis. Embora o Brasil tenha 500 mil médicos, apenas cerca de 400 geram ciência relacionada ao canabidiol, CBD e THC. A farmacêutica não se comunica igualmente com todos os profissionais do país. Aproximadamente 134 mil são os mais contatados.

Ele demonstrou que o potencial de mercado da cannabis é enorme, já que cerca de 200 milhões de pessoas sofrem com algum problema que poderia ser tratado com substâncias derivadas da planta. Apenas o número de pessoas que sofrem com algum transtorno do Sistema Nervoso Central são 93 milhões.

Caio contou sobre a sua trajetória até se envolver com o assunto. “Sou advogado e percebi que algo estava acontecendo no mundo e invariavelmente chegaria ao Brasil. Decidi me dedicar a este assunto”, falou o executivo.

Ele contou que as empresas são verticalizadas no mercado canadense, onde a indústria da cannabis é amplamente desenvolvida. “Elas desenvolvem toda a cadeia, desde as sementes até o envio dos produtos. Isso é muito grande lá no Canadá. Nos Estados Unidos há uma forte segmentação e isso está começando no Canadá. As empresas não isolam o produto, terceirizam. Como é um produto que custa 3 dólares o grama, não dá para desperdiçar e está começando um amadurecimento”, explicou.

Os mais diversos produtos podem ser feitos com cannabis, desde tijolos até cosméticos. “A iluminação na Europa era feita com óleo da semente da cannabis. As pessoas lembram-se do óleo de baleia, mas esta alternativa pouco conhecida era muito mais usada”, contou Caio. Diversas partes da planta podem ser usadas, desde as folhas, sementes até as flores, que são as mais usadas.

Em outros países, é possível comprar os mais variados produtos a base de cannabis. No Brasil, há uma forte regulamentação, impedindo este comércio. “Existem uma série de complicações regulamentarias. Na Entourage, metade do nosso time é formado por advogados e metade por farmacêuticos”, contou. Há restrições à exportação e países que plantam cannabis de forma legal não conseguem exportar. A papoula, por exemplo, é plantada no Afeganistão, utilizada na produção de medicamentos em algum laboratório e chega ao Brasil como produto final.

Jaime contou que uma pessoa de sua família tem epilepsia, o que fortaleceu sua convicção da importância de tratar da cannabis. “Poucas pessoas sabem que desde 2005 é legal plantar cannabis para fins de pesquisa. Mas há tanta regulamentação e restrição que nenhuma universidade ou centro de pesquisa conseguiu desenvolver estudos relacionados a isso”, explicou o executivo.

Devido ao direito constitucional à saúde, quando este acesso é negado, as pessoas entram na justiça. Assim, muitas pessoas conseguiram direito para comprar medicamentos à base de cannabis em outros países, retirando estes gastos do país. “Caso houvesse uma regulamentação, teríamos um mercado de US$2,4 bilhões ou R$ 10 bilhões de reais. Destes, R$ 1 bilhão seriam arrecadados em impostos”, disse o executivo.

“As empresas que quiserem entrar neste mercado tem que ter um mindset de farma. Não adianta achar que como outro negócio, como bebidas. Tem um compliance complexo e os retornos não são os esperados”, alertou Jaime.

Euclides construiu carreira trabalhando na área de fitoterapia, com o desenvolvimento de medicamentos a base de plantas. Ele atua no Conselho de Fitoterapia e lá a discussão sobre a cannabis surgiu. Além disso, ele ficou impressionado sobre os potenciais terapêuticos da planta.

“O mais importante é ver que se estamos vivendo essa realidade e essas discussões ideológicas e politicas sobre cannabis isso demonstra que nós, a sociedade brasileira, não demos a devida importância para o tema. Tem aquela visão que plantas medicinais são folclore e então o tema não foi devidamente estudado e regulamentado”, destacou o especialista.

Ele contou que a cannabis pode ter se desenvolvido junto com a espécie humana, já que ela se espalhou pelo planeta acompanhando os seres humanos. “Havia até a ideia de que existiam várias espécies de cannabis. Hoje se sabe que existe apenas uma espécie, a cannabis sativa, mas que cada grupo ressaltou as características que desejava da planta, criando subespécies”, explicou Jaime.

Ela é a única planta capaz de produzir tantos compostos químicos e em outros países existem bancos de variedades, uma que produz mais THC, outra mais CBD e outras substâncias. Aí cabe à tecnologia e à ciência estudar e aproveitar estes materiais.

“Fico preocupada com este risco que existe de ser permitido no Brasil o uso de medicamentos a base de cannabis, mas não a produção e a pesquisa”, concluiu Jaime.

Neide procurou desmistificar e mostrar que o uso recreativo e medicinal da maconha são coisas muito diferentes. Ela contou que por ser da ABMAPRO (Associação Brasileira de Marcas Próprias), viaja muito. “É possível encontrar uma enorme variedade de produtos com CBD. Em Amsterdã, vi água com CBD. Dá para comprar de acordo com o seu gosto. Grandes redes vendem vários produtos de marca própria com CBD”, afirmou Neide.

Ela destacou que em outros países são divulgadas muitas notícias positivas sobre o assunto, como o aumento da procura por medicamentos à base de cannabis, os resultados de pesquisa, entre outros. Aqui, há muita desinformação e preconceitos sobre o assunto. “Temos que levar o assunto com muita seriedade, porque pode ajudar muitas pessoas”, resumiu a executiva.

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